Qual é a diferença entre o inferno e o paraíso? O inferno: no teatro estão encenando uma peça onde podemos ver numerosas pessoas assistindo a um banquete. A comida está deliciosa, mas cada um quer se apropriar desta comida. O inferno são os demônios famintos. Com efeito, a situação é a seguinte: todos têm vestimentas que não os permite se mexer; temos varetas muito compridas, suponhamos que de um metro, podemos pegar a comida, mas não conseguimos aproximá-la de nossa boca, e então começamos a nos degladiar uns com os outros e a comida cai... O inferno é esta situação, onde, se bem que a comida seja abundante, ninguém consegue comer. O paraíso: no teatro estão encenando a mesma peça. A cortina sobe. A comida está lá, estamos sentados, temos as mesmas roupas que não nos permite mover. As mesmas varetas de um metro de comprimento. A situação é idêntica, mas o estado de espírito é diferente. Com efeito cada um vai servir o outro antes de si mesmo: “O que você quer comer? – Oh! isto está muito bom, foi Stéphane que o preparou” ou: “Foi Cristian que o fez”, de tal forma que cada um pode receber, não há disputas, nem batalhas, nem lágrimas, todo mundo fica contente, canta e sorri. Na nossa vida cotidiana estas coisas acontecem. Por que? E com que propósito? Dogen Zenji coloca a pergunta: “Por que uma mesma situação é percebida de forma diferente?” É necessário refletir sobre isto, porque tal reflexão conduz à dúvida e sem a grande dúvida, não existe a grande compreensão.
Mestre Tokuda, no conjunto de teishôs sobre a Complexidade. Para ler tudo, clique aqui.
Publicado por Giorgia Sena
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