10 abril, 2009

Um conto zen do Monge Marcos Beltrão

Numa terra distante, em distantes outros mundos de mil sóis negros e livres vidas em novos além-mares, havia um planeta onde dois filósofos discutiam. Um dizia, “O ser humano é um bípede implume. O outro apresentou um frango depenado como sendo o ser humano.

Mas havia um rio de águas límpidas onde moravam umas tartarugas que se reproduziam automaticamente, ficando de bruços nas águas límpidas. Ora, os frangos depenados descobriram este paradeiro puro e imediatamente começaram a levar os filhotes de tartaruga para a frigideira, sem maiores cerimônias, até que uma tartaruga para se defender entrou num diálogo com um frango depenado.

A tartaruga disse, “Mas como vocês podem achar que estão acima da natureza, que são senhores da criação, e que tudo foi feito para vocês, quando claramente vocês não passam de frangos depenados, enquanto que nós somos seres vivos da natureza?”

O frango depenado disse, “Como assim, ‘não estamos acima da natureza?’ Através da ciência dominamos tudo e levamos vocês para a frigideira livremente, apesar de não precisarmos fazê-lo, o fazemos por esporte, como você diria que não estamos acima de vocês?”

“Porque vocês nem são seres de verdade, são meramente frangos depenados, quer dizer, são seres para quem existe o sofrimento de uma forma atroz através dos seis mundos inferiores, estão ligados aos três venenos, enquanto que a natureza está livre destas coisas, por isto estamos na forma verdadeira de tartarugas, enquanto que vocês não passam de frangos depenados. E o que dizer da última forma que vocês inventaram, ‘o ecologista’, que é um ser que tem dificuldades em manter a modéstia apesar de achar que está ‘defendendo a natureza’?”

“Como assim?”

“Ele se coloca definitivamente acima da criação, como seu defensor, mas mesmo que ele nos mate, quem disse que precisamos de proteção, quando ele está somente matando a si mesmo? Ele é só uma versão mais envernizada do frango depenado, escravo dos seis sentidos, e completamente achando que está defendendo as tartarugas, quando nem a si mesmo pode salvar, querendo somente aparecer através de sua prática da ecologia de querer ser superior. Veja, o frango depenado não é sequer ainda um ser vivo, é somente um frango depenado morto, é isto que vocês e sua ciência são finalmente”.

“É, realmente, tem razão, nosso sentimento de superioridade não tem razão de ser, pois finalmente nos separamos da natureza e estamos no estado de frangos depenados, quando nem despertamos para nossa verdadeira natureza ainda”.

“Pois é, mas nem tudo está perdido, este é justamente o primeiro passo no caminho de virar um ser humano, aquele que pode apreciar o canto dos passarinhos nas montanhas verdes”.

“Tem razão, tartaruga, obrigado pelo seu ensinamento, já posso sentir algum vigor de verdade e penas de verdade crescendo no meu estado de frango morto”.

Publicado por Giorgia Sena

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