Mostrando postagens com marcador Vimalakirti. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vimalakirti. Mostrar todas as postagens

16 novembro, 2008

Sermão da Ação Corporal

Este silêncio, este maha-muni, é muito importante para nós. Este silêncio, este sem-palavras, que é mais do que mil trovões, é algo de muito forte. É um silêncio que não é somente manter a boca fechada.

Para os praticantes zen é essencial não tagarelar muito.

Durante o samu, nós devemos falar com nosso corpo. Quando limpamos um quarto, não se trata unicamente de limpar o centro dele, mas de ir em todos os cantos, lá onde a poeira se acumula mesmo onde não se a vê, ou debaixo da cama. Todas estas coisas falam perfeitamente. É o que chamamos de shingo seppo “o sermão da ação corporal”.



Excerto do quarto teishô sobre o sutra Vimalakirti, disponível aqui
.

Publicado por Miguel Pacheco.

14 novembro, 2008

Voltar para Ajudar

Quando o filho único do dono da casa fica doente, seus parentes, tão ricos quanto possam ser, ficam de tal forma preocupados que também ficam doentes. O mesmo vale para Vimalakirti e os bodhisattvas e no caso destes últimos, a origem da doença é a grande compaixão.

É ainda um aspecto paradoxal: se finalmente entre nós pode realizar este despertar que conduz ao nirvana, por que é necessário auxiliar os outros? Dizem que se bem que o sutra Kegon e a escola do mesmo nome existem ainda hoje, estão diminuindo. O sutra Kegon descreve o mundo do despertar com um aspecto maravilhoso: se é assim, já que tudo está perfeito, de onde vem esta necessidade que nos empurra a auxiliar os outros?

É a questão do maha muni. Já que maha muni é este grande e absoluto silêncio eterno, da origem, por que se torna necessário despertar a si mesmo para em seguida trabalhar constantemente a fim de vir ajudar aos demais? Existe uma contradição entre esta quietude absoluta e esta vontade de engendrar movimento para o que tudo indica, ajudar aos outros. Como diz Dogen Zenji: eu mesmo e o eu mesmo dos outros não são duas coisas separadas. Peço que vocês considerem um pouco isso.


Excerto do Teishô nº3 de Mestre Tokuda sobre o sutra de Vimalakirti disponível aqui.

Publicado por Miguel Pacheco

12 novembro, 2008

Silêncio Interno

O bodhisattva que vive na grande cidade está em contato com numerosas pessoas. A cada dia, vivemos experiências de todos os tipos, estamos confrontados com eventos provocados pelos três venenos: o apego (a avidez), a cólera, a ignorância, aos quais não se pode escapar. Às vezes dizemos para nós mesmos: “Seria maravilhoso habitar nas proximidades de uma praia!” Sim, mas de noite há o ruído incessante das ondas que perturba nosso sono. Então dizemos: “Isso é realmente infernal demais, vou viver nas montanhas”. Sim, mas na montanha há o vento, e o barulho feito pelo vento nas árvores nos perturba. Finalmente retornamos à cidade e ali nos deparamos com o ruído dos veículos, a agitação das multidões. O fato é que, se não tivermos o silêncio interno, onde quer que vamos será sempre barulhento, e mesmo se encontrarmos um local muito silencioso, este mesmo silêncio acabará perturbando. Viver neste mundo com simultaneamente um lado que toca no profano e um lado que toca no sagrado, isto exatamente é o zazen e o keka-fusa: a perna direita se torna a perna esquerda, a perna esquerda se torna a perna direita, o que quer dizer que um lado toca o tempo, o outro a eternidade. No fim das contas, a eternidade é este instante. A vacuidade não consiste em alcançar o que seja (muga), é ser mushotoku (sem objetivo), sentir exatamente este instante, o agora, e é isto que permite entrar neste samadhi.


Excerto do Teishô nº2 de Mestre Tokuda sobre o sutra de Vimalakirti disponível aqui.
Publicado por Miguel Pacheco