12 novembro, 2008

Silêncio Interno

O bodhisattva que vive na grande cidade está em contato com numerosas pessoas. A cada dia, vivemos experiências de todos os tipos, estamos confrontados com eventos provocados pelos três venenos: o apego (a avidez), a cólera, a ignorância, aos quais não se pode escapar. Às vezes dizemos para nós mesmos: “Seria maravilhoso habitar nas proximidades de uma praia!” Sim, mas de noite há o ruído incessante das ondas que perturba nosso sono. Então dizemos: “Isso é realmente infernal demais, vou viver nas montanhas”. Sim, mas na montanha há o vento, e o barulho feito pelo vento nas árvores nos perturba. Finalmente retornamos à cidade e ali nos deparamos com o ruído dos veículos, a agitação das multidões. O fato é que, se não tivermos o silêncio interno, onde quer que vamos será sempre barulhento, e mesmo se encontrarmos um local muito silencioso, este mesmo silêncio acabará perturbando. Viver neste mundo com simultaneamente um lado que toca no profano e um lado que toca no sagrado, isto exatamente é o zazen e o keka-fusa: a perna direita se torna a perna esquerda, a perna esquerda se torna a perna direita, o que quer dizer que um lado toca o tempo, o outro a eternidade. No fim das contas, a eternidade é este instante. A vacuidade não consiste em alcançar o que seja (muga), é ser mushotoku (sem objetivo), sentir exatamente este instante, o agora, e é isto que permite entrar neste samadhi.


Excerto do Teishô nº2 de Mestre Tokuda sobre o sutra de Vimalakirti disponível aqui.
Publicado por Miguel Pacheco

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