17 setembro, 2008

Deus e Eu

No "eu amo Deus", existe "Deus e eu" – duas coisas separadas – não existe ainda a união, mas quando "abandonamos", quando toda idéia de ego desaparece, então Deus é obrigado a entrar em nós. Deus não está atrás de uma porta que abrimos para
rogar que ele entre: Ele está no interior e Ele espera mas não pode entrar porque existe muitas coisas no interior.

É como a seguinte história Zen: um praticante prestou uma visita a um mestre Zen, e
lhe pediu que falasse do Zen e sem esperar que o mestre respondesse, começou a falar de si mesmo essencialmente, de suas experiências, dos livros que havia lido... o mestre serviu o chá, e quando a taça estava cheia, ele continuou a colocar mais chá, a taça transbordou e o chá encheu a mesa. Vendo que o líquido transbordava, o praticante se afobou e pediu ao mestre que parasse de colocar chá. Com este gesto o mestre quis ensinar que quando o recipiente está cheio, nada mais pode entrar. Para Meister Eckhart, o abandono é a coisa primordial, e é necessário imediatamente limpar tudo que temos no interior de nós mesmos. E se conseguirmos isso, no instante do abandono, Deus entra imediatamente, não existe nenhum intervalo entre o abandono e a entrada de Deus.

Trecho de teishô do Mestre Tokuda

(publicado por Giorgia Sena)

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