22 setembro, 2008

Samu - Trabalho Coletivo

Na prática Zen, apenas o aprendizado que se traduz em mudança de atitude e de compreensão de forma simultânea representa verdadeiro entendimento. A relação teoria e prática supera a dicotomia usual e se apresenta como aspectos conjuntos de um só entendimento – sabedoria é compreensão e ação. Não há verdadeira compreensão que não se traduza numa mudança de atitude, nem mudança de atitude autêntica que não possa encontrar adequada expressão no entendimento.

Outro aspecto importante da prática é o fato de que todas as atividades são realizadas coletivamente. O regime monástico de trabalhar juntos, meditar e viver juntos é um dos ensinamentos mais importantes que o Zen da Escola Soto tem para oferecer. O aprendizado da interdependência entre todos os seres, da interconexão, penetra a vida diária de forma plena. O ser humano das sociedades atuais pode conhecer teoricamente esses conceitos, mas prescinde da experiência direta do que contêm, por vivermos imersos em um sistema que se baseia em relações individualistas e dicotômicas.
O Samu, trabalho coletivo, é um aspecto da prática em que através da ação os discípulos aprendem sobre a não dualidade. Na mente tranqüila do praticante não há espaço para a discriminação entre seu trabalho e o trabalho dos outros, ou mesmo entre ele e sua própria atividade e o meio ambiente. Cuidar das condições necessárias à prática e à manutenção da vida é tarefa comum de todos os que integram uma comunidade budista, a Sangha. Não é preciso ser solicitado, cada praticante assume uma parcela da responsabilidade das tarefas a serem realizadas.

Ivone Jishô.

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