05 maio, 2009

A psicologia budista diz que o campo de consciência você pode mudar entendendo a razão das coisas. Mas a inconsciência, poderíamos atingi-la também para uma mudança radical? Como poderíamos fazer isso? POdemos, sim, através da meditação. Com o tempo, mergulhando na meditação, entramos na sétima e oitava consciências, dentro da inconsciência.

Mestre Tokuda

(publicado por Giorgia Sena)

04 maio, 2009


Fim de Tarde, Mosteiro Eisho-Ji.
Sesshin de Primeiro de Maio.
Foto: Giorgia Sena
Posted by Picasa

28 abril, 2009

Sesshin no Mosteiro

Haverá sesshin em Eisho-Ji (Pirenópolis - GO) no próximo feriado sob a orientação do Monge Marcos Beltrão. O retiro terá início na noite do dia 30 de abril e findará ao meio dia de domingo, 3 de maio.

Todos são muito bem vindos!

Publicado por Giorgia Sena

Entrevista

Segue abaixo trecho de reportagem do Jornal A Tarde, com Monja Ivone Jishô.

"Perfeição é continuar caminhando"
Marcos Dias

Em agosto de 1996, em Recife, um grupo de interessados no zen-budismo reuniu-se em torno da potiguar Ivone Jishô (que quer dizer Luz Radiante que Dá Alegria aos Outros), que havia sido ordenada monja pelo mestre Ryotan Tokuda Igarashi em janeiro daquele ano. Ela começou a praticar em 92, com temporadas em mosteiros em Minas Gerais, Japão e França, e assumiu o compromisso com a transmissão dos ensinamentos para que novas gerações conheçam o caminho zen. No último dia 7, foi criado oficialmente em Salvador um grupo zen no Garcia. Ivone, 44, chegou à cidade no dia 3 de fevereiro de 2006 para dar continuidade aos seus estudos iniciados em 2000 com um mestrado em Recife e, atualmente, está concluindo o doutorado na Faculdade de Educação da Ufba, com defesa marcada para 14 de agosto, aprofundando seus conhecimentos sobre o mestre Dogen, fundador da Escola Soto, à qual o grupo se filia. Nessa tradição, a ênfase é dada ao zazen – prática de meditação sentada. “Toda a vida do praticante se torna meditação”, diz ela , “e tudo tem de ser feito com plena atenção e inteireza: usar o toalete, preparar um alimento ou limpar a sala tem a mesma importância”. O que quer que se faça pode ser uma experiência meditativa. E esclarece sobre a gestão coletiva do espaço: “A meditação não tem fins lucrativos. Não recebo por um suposto trabalho. Nos juntamos para criar as condições“. Nesta entrevista, realizada na sala de meditação, ela falou sobre zen, Deus, morte, sexualidade, iluminação e cotidiano.

O zen é conhecido por seu caráter anti-intelectual. Como é lidar com a sua formação e o que o zen prescreve?

Quando comecei os estudos, eu tinha essa ideia porque a gente é convidado a fazer a experiência sem a explicação prévia. Quando estive no Japão, percebi que eles têm culturalmente isso de poder acolher a vivência e buscar entender depois. Mas a gente no ocidente tem costume de querer a explicação antes para poder autorizar a vivência. O que descobri vivendo, pois foi na vivência que fui orientada a buscar os estudos e depois nos textos, é que não existe um desprezo pela parte intelectual, existe é uma inversão na ordem, da forma de lidar com isso.

E quando a racionalidade pode ser um problema?

Se a gente isolar a racionalidade, a gente está criando dualidade entre o que é racional e o que não é racional. Estou chegando à conclusão que a não-dualidade é uma simultaneidade: é o atravessamento das diferenças numa possibilidade de conviver simultaneamente com as várias visões. Então, racionalidade, sim; intuição, sim; experiência empírica, sim; e, junto, isso acaba dando para a gente uma possibilidade de conhecer as coisas, de viver e integrar. O problema da racionalidade acaba sendo o limite que ela tem quando a gente tenta entender a vida exclusivamente pela razão. Se a g ente tentar entender o que é a vida, o que é o amor, o que são as relações humanas, exclusivamente, pelo racional, a gente vai ver que acaba criando um abismo entre o que a gente pensa e o que acontece. E se a gente não consegue integrar, fica aquela história que na teoria é uma coisa e na prática outra, e a gente fica nessa dualidade, às vezes sofrendo, sem conseguir encontrar conexão.

Publicado por Giorgia Sena

27 abril, 2009

Atividades em Recife

No próximo mês, Monge Marcos Beltrão realizará as seguintes atividades em Recife:

Sesshin de 7 dias, de 17 a 24 de Maio
Curso de Shiatsu, de 28 a 31 de Maio

Para o Sesshin: de 17 a 24 de maio, inscrições e informações com Wilda: 81 - 8878-1559 ou 3343-0841

Para o Curso de Shiatsu, as inscrições devem ser feitas na Clínica Humanos: 81 - 34232079.

15 abril, 2009

Os Sete Hábitos

Tenho aqui outro livro que gostaria de apresentar, não sei se todos o conhecem. Chama-se " Os sete hábitos das pessoas muito eficazes " de Steven Covey. Não serve somente para os empresários, mas para a família, ou para a vida pessoal, pois mudando o ponto de vista sobre o mundo, pode-se mudar a qualidade de nossa vida. Pode ser aplicado para a família e para os colegas. " Os sete hábitos das pessoas muito eficazes ". Eu o recomendo a todos os presentes, para lerem não apenas uma vez, mas muitas e muitas vezes, aplicando-o, vendo os resultados e continuando a ler. Vale a pena comprar o livro. E sempre usar como livro de cabeceira.

Mestre Tokuda, no início do teishô sobre "Como formar o imperador".

14 abril, 2009


Mais uma da Turma de Shiatsu de Santa Catarina
Publicado por Giorgia Sena

13 abril, 2009

O que é Deus?

"Então o que é Deus? Para isso você tem que abrir a Summa Teologica , de São Tomás de Aquino. Então ele definiu o que é Deus. Mas afinal de contas, ele queimou todo esse livro. Quando ele viu que sem aquela experiência, isto tudo não vale nada. O que ele viu? Ele não falou. Que pena. Agora existe a teoria da Trindade. Então pergunte para o padre: o que é a Trindade? Shhhhh…..( silêncio!) Isso é segredo. Ele não é a trindade. Hoje em dia existe um intercâmbio entre outras religiões ou diálogo intereligioso. Um padre católico escreveu um livro que se chama o arco-íris da religião. Então arco-íris do ocidente passando todo oceano, chegou até o oriente, oriente-ocidente, ocidente encontrou oriente, hoje em dia fisicamente tanto quanto de todas as outras maneiras. O ocidente está no oriente, o oriente está no ocidente.

(...)

Quando se lê um livro de místicos cristãos, tanto como Meister Eckhart, São João da Cruz, São Francisco de Assis, tem outros muitos, muitos místicos, um Budista sente que lendo livro de cristianismo, apesar de língua diferente, religião diferente, país diferente, época diferente, mas aquela essência da experiência própria é a mesma, portanto a expressão é a mesma. Dentro do Islamismo, tem os Sufis, também a experiência mística Islâmica. Eles falam quase a mesma coisa. Olha isso é muito importante para nós, no fundo, no fundo, tem aquela experiência original religiosa, transcendental, isso é o Dharma, com outro nome também. Agora quando essa pessoa tem experiência e começa a expressar verbalmente, fala usando língua dessa religião, ou país, filosofia, então Deus aparece, Dharma, Buda, mas essa experiência mesma, eu posso dizer, é a mesma coisa. Então chamando de Deus, chamando de Buda, Tathagata, Dharma, Natureza de Buda, é a mesma coisa, Meister Eckhart coloca além da trindade (Gotheit), Gotheit é algo assim como a origem da trindade. Isso não tem mais personalidade, como Pai, Filho, Espírito Santo. Isso já é como Dharma, o Dharmakaya, algo cósmico, algo de pura vida, de movimento, que produz a criação, mas criação não é fixa, mudando, portanto esse Deus ou Dharma está trabalhando constantemente, de fato até agora Deus está a criar o mundo. Antes seis mil anos, depois seis mil anos, mas esses seis mil anos estão dentro deste momento absoluto. Isso é experiência mística cristã, e ao mesmo tempo do Zen. Por isso chama aqui, agora. Assim podemos entender Deus, se fosse possível. Ah! Não sei se padre católico aceitaria essa teoria.”

Mestre Tokuda, no teishô Visão Global do Budismo Mahayana, publicado originalmente na Revista Flor do Vazio #7. A íntegra da palestra está aqui.

(publicado por Giorgia Sena)

10 abril, 2009

Um conto zen do Monge Marcos Beltrão

Numa terra distante, em distantes outros mundos de mil sóis negros e livres vidas em novos além-mares, havia um planeta onde dois filósofos discutiam. Um dizia, “O ser humano é um bípede implume. O outro apresentou um frango depenado como sendo o ser humano.

Mas havia um rio de águas límpidas onde moravam umas tartarugas que se reproduziam automaticamente, ficando de bruços nas águas límpidas. Ora, os frangos depenados descobriram este paradeiro puro e imediatamente começaram a levar os filhotes de tartaruga para a frigideira, sem maiores cerimônias, até que uma tartaruga para se defender entrou num diálogo com um frango depenado.

A tartaruga disse, “Mas como vocês podem achar que estão acima da natureza, que são senhores da criação, e que tudo foi feito para vocês, quando claramente vocês não passam de frangos depenados, enquanto que nós somos seres vivos da natureza?”

O frango depenado disse, “Como assim, ‘não estamos acima da natureza?’ Através da ciência dominamos tudo e levamos vocês para a frigideira livremente, apesar de não precisarmos fazê-lo, o fazemos por esporte, como você diria que não estamos acima de vocês?”

“Porque vocês nem são seres de verdade, são meramente frangos depenados, quer dizer, são seres para quem existe o sofrimento de uma forma atroz através dos seis mundos inferiores, estão ligados aos três venenos, enquanto que a natureza está livre destas coisas, por isto estamos na forma verdadeira de tartarugas, enquanto que vocês não passam de frangos depenados. E o que dizer da última forma que vocês inventaram, ‘o ecologista’, que é um ser que tem dificuldades em manter a modéstia apesar de achar que está ‘defendendo a natureza’?”

“Como assim?”

“Ele se coloca definitivamente acima da criação, como seu defensor, mas mesmo que ele nos mate, quem disse que precisamos de proteção, quando ele está somente matando a si mesmo? Ele é só uma versão mais envernizada do frango depenado, escravo dos seis sentidos, e completamente achando que está defendendo as tartarugas, quando nem a si mesmo pode salvar, querendo somente aparecer através de sua prática da ecologia de querer ser superior. Veja, o frango depenado não é sequer ainda um ser vivo, é somente um frango depenado morto, é isto que vocês e sua ciência são finalmente”.

“É, realmente, tem razão, nosso sentimento de superioridade não tem razão de ser, pois finalmente nos separamos da natureza e estamos no estado de frangos depenados, quando nem despertamos para nossa verdadeira natureza ainda”.

“Pois é, mas nem tudo está perdido, este é justamente o primeiro passo no caminho de virar um ser humano, aquele que pode apreciar o canto dos passarinhos nas montanhas verdes”.

“Tem razão, tartaruga, obrigado pelo seu ensinamento, já posso sentir algum vigor de verdade e penas de verdade crescendo no meu estado de frango morto”.

Publicado por Giorgia Sena

08 abril, 2009

Uma das cem...



Mosteiro Eisho-Ji, Pirenópolis, Goiás. 2008.
Foto: Giorgia Sena

Posted by Picasa

Vesak na Bahia

Convite da Monja Ivone:

Estamos convidando todos e todas para o Sesshin de Vesak!!!Na lua cheia de maio, todo ano se comemora o nascimento de Buda. Fala-se em emanação, e tomamos como sinalização do nascimento que é preciso passar no Caminho para chegar a ser o que verdadeiramente somos...realizar nossa natureza original.

Esse momento muito auspicioso recebeu um primeiro oferecimento: um amigo da Sangha ofereceu um espaço próximo à cidade de Salvador (pouco mais de uma hora de distância), onde podemos encontrar um clima mais frio e adequado à prática intensiva do Zazen. E como é um oferecimento, nos permite organizar o retiro com liberdade de ganho, apenas cobrindo os custos com alimentação e material de limpeza, e uma pequena contribuição para a Sangha, para os que ainda não estão comprometidos com sua manutenção.

Em breve divulgaremos mais informações.Mas a data já está agendada: Será um Sesshin de 3 dias, começando sexta no final da tarde e finalizando no final da tarde de domingo. De 08 a 10 de maio, com a cerimônia de Vesak no dia 09 sob a luz da lua cheia...Convidamos a todos para que desde já reservem esse momento para estarmos juntos com os que em todo o mundo estarão comemorando o Vesak.

Gashô,
Ivone Jishô
http://zenbahia.blogspot.com/

(Publicado por Giorgia Sena)

Shiatsu em Santa Catarina



Mais uma turma é iniciada no Shiatsu do Mestre Tokuda. Aconteceu no último final de semana em Santa Catarina. O curso, orientado pelo Monge Marcos Beltrão, presidente da Sociedade Soto Zen do Brasil (Sangha Mahamuni), teve um público eclético, incluindo diversos profissionais da área da Saúde (Fisioterapia, Naturologia, Acupuntura, Educação Física) e praticantes Zen Budistas.

Publicado por Giorgia Sena.
Posted by Picasa

03 abril, 2009

Semana Santa em Pico de Raios

Monge Aníbal Jippo avisa:

"Na Semana Santa estaremos nos reunindo no Templo Zen Pico de Raios, em Ouro Preto, para um retiro (Sesshin). Convidamos os interessados para esta prática que será realizada conforme programa a seguir.Apenas para arcarmos com os custos do Sesshin definimos em R$150,00 o valor de toda a atividade.Para confirmar sua presença faça um depósito no valor especificado na conta2381-013-00005233/7, Caixa Econômica Federal, para Anibal Oliveira Freire. Depois confirme sua presença pelo email: picoderaios@yahoo.com.br.

Iniciando às 20hs de quinta-feira, dia 09 de abril, tem seu término previsto para domingo, 12, após o quarto zazen, com uma cerimônia, seguindo-se de um almoço já informal.

Programa diário

4h00 – SHINREI, SENMEN (acordar, arrumar cama, lavar rosto)
4h30 – ZAZEN
5h10 – KINHIN (meditação andando)
5h20 – ZAZEN
6h00 – CHÔKA (cerimônia matinal)
6h50 – NITEN SÔJI (arrumação da casa e jardim)
7h30 – GYOHATSU (desjejum)
8h50 – SAMU (trabalho)
10h00 – ZAZEN
10h40 – KINHIN (meditação andando)
10h50 – ZAZEN
11h30 - SAIZA (almoço)
14h00 – ZAZEN
15h10 – CHÁ
16h10 – TEISHO
17h10 – ZAZEN
18h00 – YAKUSEKI (jantar)
19h20 – ZAZEN
20h00 – KINHIN (meditação andando)
20h10 – ZAZEN
21h00 – KAITIN (meditação deitado)

02 abril, 2009

Atividades em Minas

Monja Mariângela comunica as atividades que realizará no mês de abril em Belo Horizonte:


JANTAR ZEN

... um encontro para alimentar a alma
Data: 03 – sexta-feira – 19hs às 23hs
Local: Restaurante Fonte de Minas – Rua Guajajaras, 619, casa IX, Vila Werneck
Valor: R$25,00
Convites no local ou pelo telefone: 9745-4450.


ZEN NO PARQUE MUNICIPAL

Caminhada, zazen, picnic... respirando verde...
Data: 12 – domingo – às 07hs
Local encontro: na entrada lateral do Palácio das Artes
Valor: contribuição mínima de R$10,00
Para confirmar e obter instruções básicas: 9745-4450.


ALIMENTANDO A ALMA

...o preparo da refeição com todo coração, espírito aberto e a mente clara. Cardápio especialmente elaborado para ser saboreado através do aprendizado interior que o ato de cozinhar proporciona...

Data: 18 – sábado – 09hs às 14hs
Local: Av. João Pinheiro, 85, apto. 1504, Centro – BH - Casa da Alice
Valor: contribuição mínima de R$50,00 (são 10 vagas e será fornecida apostila)
Rotina: Instrução para a prática da meditação / preparo do cardápio (05 pratos) / refeição abençoada
Contato para reservas ou informações no telefone 3347-0940


III ZAZENKAI
Data: 26 – domingo – de 08hs às 18hs
Local: Rua Quimberlita, 453, Santa Tereza – BH - Casa da Carem e Alex Lima
Valor: contribuição mínima de R$50,00
Rotina: 6 a 7 zazens (meditação sentada) / 2 kinhins (meditação andando) / samu (atividade de limpeza) / estudos – descanso – cerimônia / refeições vegetarianas.
Contato para reservas ou informações no telefone 3347-0940


Agende-se e confirme sua participação.

Mariangela Ryosen
Celular: (31) 9745-4450
Res: (31) 3313-1280
Email: mariangela.ryosen@ymail.com

(publicado por Giorgia Sena)

25 março, 2009

Informativo mensal da SSZB - Março, 2009.

"Estava passeando pelo bosque quando um coelhinho me disse:

As obras do Centro Zen da Saint Roman estão já se desenvolvendo.

O Mestre Tokuda prepara-se para iniciar um ango no mosteiro de Eitai-ji na França, depois do que virá ao Brasil. O ango são três meses de meditação e treinamento.

O Monge Tabajara está fazendo mil budas (ele é escultor) para o mosteiro de Ouro Preto e também para o Eitai-ji.

Haverá uma cerimônia do Vesaka (lua cheia de Maio) no Templo Zen da Saint Roman, dia 9 de maio às 18:00 horas.

O Monge Elcio está preparando para lançar o livro com o depoimento dos agradecidos alunos do Mestre Tokuda.

Tudo está caminhando às mil maravilhas, por exemplo, hoje o sol raiou e as folhas absorveram seus raios.

Obrigado pelas doações pela vinda do Mestre Tokuda, aqueles que já a fizeram e aqueles que a farão.

O site do Mestre Tokuda está sofrendo uma reforma geral, ampla e irrestrita, menos a essência que são os textos. Só o invólucro será mexido.

As passagens aéreas do Mestre Tokuda da França (ida e volta) e do Saikawa Roshi e Handa Sensei de SP para BH já foram também compradas.

Marcos Beltrão Frederico

(publicado por Giorgia Sena)

17 março, 2009

Treinar constantemente alimenta a vontade. A busca da mente Bodhi é como olho de peixe, não é diamante, apodrece se não cuidar. É preciso apenas continuar constantemente. Chegando-se à iluminação pode-se pensar, “ah, cheguei, vou parar com isto”. Não, treinamento é iluminação, e iluminação é treinamento. Por isso Buda passou por seis anos de treinamento. Bodidarma foi à China e sentou nove anos antes de pregar. Esses nove anos não foram para obter a iluminação, ele já estava iluminado, foi apenas a continuidade do sentar. Ninguém pode mais parar. Dentro do zazen, com as pernas cruzadas, cruzam-se tempo e eternidade. Apesar de vivermos neste mundo mortal, quando você senta, está no estado de simultaneidade, junto com todos os budas do passado, presente e futuro!

Mestre Tokuda, no teishô sobre a Simultaneidade, cuja íntegra pode ser lida aqui.
 


A turma do Buda. Foto: Ricardo Maizatto

Sesshin em Piri

Nos dias 1, 2 e 3 de maio será realizado um sesshin no Mosteiro Eisho-Ji, em Pirenópolis, Goiás, orientado pelo Monge Marcos Beltrão.

O sesshin obedecerá o seguinte cronograma:

4:00 Acordar
4:30 Zazen (meditação sentada)
5:10 Kinhin (meditação andando)
5:20 Zazen
6:00 Choka (cerimônia matinal)
7:00 Limpeza
7:30 Desjejum
8:00 Samu (trabalhos)
9:30 Banho
10:00 Zazen
10:40 Kinhin
10:50 Zazen
11:30 Almoço
12:00 Descanso
14:00 Zazen
14:40 Teisho (aula Budista)
15:40 chá
16:00 Samu
17:00 Fim do Samu
17:20 Zazen
18:00 Jantar
18:30 descanso
19:30 Zazen
20:10 Kinhin
20:20 Zazen
21:00 Kaitin (meditação deitada)

Publicado por Giorgia Sena
 


Sesshin realizado no último final de semana no Templo Zen de Copacabana. Da esquerda para a direita: Ricardo, Diego, Álcio, Mauro Bastos, Marcos Beltrão, Maddi, Giorgia e Sérgio. Quem fez a foto foi o Luciano, que também participou do Sesshin.

Publicado por Giorgia Sena
Posted by Picasa

12 março, 2009

Homenagem a Paulo

Paulo Melo Gain era um monge zen, talvez um mestre zen Brasileiro e começamos a praticar juntos, eu e ele em São Paulo, em Bushin-ji. Paulo era um brilhante aluno de engenharia do ITA, Instituto de Tecnologia da Aeronáutica, era o primeiro colocado nesta que é a mais puxada Universidade do Brasil. Ao se formar no ITA, sabendo da excelência fora do comum daquele aluno, choveram convites dos EUA, mas ele os recusou a todos, porque era anticapitalista.

Eu o conheci justamente quando ele estava se formando, e começando suas práticas de meditação, a gente devia ter seus vinte e poucos anos, eu tinha vinte e sete mais ou menos. Ele justamente buscou no zen a excelência que ele buscava em todos os campos do conhecimento. E ele estudou todos os grandes Mestres Chineses, especialmente Huang Po por quem era apaixonado. Paulo, ao se formar na faculdade e começar a trabalhar com engenharia de águas, sua especialidade, era um apaixonado por Mozart.

Logo depois, conhecendo o Mestre Tokuda, o convidou para dirigir o Mosteiro de
Ibiraçu, Espírito Santo, onde comprou um terço das terras. Anibal Jippo comprou outro terço e o Cristiano Bitti Daiju entrou com o terceiro terço, tendo-o herdado dos pais. Paulo era a alma deste empreendimento, e seu treinamento era completamente fora do comum. Ia para cavernas no Itacolomi, em Ouro Preto, sua terra natal (não é à toa que o grande zen do Brasil está localizado em Minas Gerais) e ali ficava o fim de semana inteiro em meditação, voltando das cavernas, é claro, com pneumonia, pois quem já morou lá sabe como é frio na cidade, muito mais ainda nas montanhas.

Trancava-se em seu quarto em sua casa também durante tudo um fim de semana e meditava
direto. Em seguida a isto fez uma prática severa no Mosteiro de Ibiraçu sob a orientação do Mestre Tokuda, onde esse seleto grupo dos primeiros monges brasileiros do zen realizavam dois sesshins de sete dias por mês, prática inaudita, talvez no mundo inteiro, naquela época sem dúvida Ibiraçu era o principal mosteiro do mundo, somente nós não sabíamos disto.

Eu também participava ocasionalmente, uma vez por anos dos retiros, às vezes do
mortífero Rohatsu em dezembro, quando monges e leigos praticavam até a meia noite, dormindo em lótus, e despertando às duas da madruga para praticar direto durante sete dias. Nestas ocasiões, ninguém entrava nem saía do mosteiro, muitos atletas profissionais que tentavam atravessar esta verdadeira maratona não aguentavam e chegavam a desmaiar no transcorrer deste verdadeiro teste de limite de resistência física e espiritual e porque não dizer psicológica. Foi durante estas duras práticas que o Paulo Gain atingiu a iluminação, sendo portanto o primeiro iluminado que se tem
notícias no Brasil, e mestre de todos nós, nos beneficiando com seus muitos ensinamentos, sua generosidade realmente sem limites.

Mestre Tokuda sempre dizia que quando eram necessários contribuições e esforços fora do comum, somente se podia contar com o Paulo e com o Anibal Jippo. Foi assim, que
após grande decepção em Ibiraçu, quando o Japão não reconheceu suas contribuições para a feitura daquele mosteiro, que eles sem pestenajar imediatamente levantaram o Mosteiro Zen Pico de Raios em Ouro Preto, MG, do qual temos tantas boas lembranças, com seus festivais de música clássica durante o inverno de Ouro Preto, quando grandes orquestras européias vinham tocar lá, e descíamos dos sesshins diretamente para os concertos, no meio do frio do inverno. Paulo também realizou angôs em mosteiros no Japão, e onde quer que ele fosse sempre haviam anedotas engraçadíssimas a serem contadas.

Durante o ango, ele não gostava de um mestre Japonês, mas o mestre Tokuda lhe dizia, "Tem que fazer reverência para ele de qualquer maneira". Mas o Paulo, que acima de tudo era sincero, cada vez que batia a cabeça no chão fazendo prostrações, soltava gazes. Também de certa feita foi descoberto um estranho e desconhecido inseto nos tatamis do mosteiro, e o mosteiro teve que ser colocado em quarentena, sendo o inseto enviado para análises em Toquio. Mais tarde foi descoberto tratar-se de um carrapato mineiro, exatamente de Ouro Preto.

Por vezes tínhamos que ficar naquela postura dolorosíssima para nós Ocidentais, ajoelhados em cima dos calcanhares, que os japoneses chamam de seiza. E uma comprida e infindável cerimônia do chá desenrolava-se, seguida de uma aparentemente interminável palestra do Mestre do Mosteiro, e nós brasileiros lá no tal do seiza. Quando o Mestre deu uma pequena pausa para respirar o Paulo sussurou para o encarrgado do sino "Vai lá, bate, bate para terminar". Eu não aguentei e tive uma explosão de risos, rolando com um ataque de gargalhadas na frente dos compreensivos e atônitos anfitriões japoneses.

Mas para aqueles que questionam se o Paulo era iluminado ou não, eu pergunto: "Quem era sempre o primeiro a sentar em meditação, e quem sentava incessantemente como os velhos Mestres, ele ou você que está pronto a atirar a primeira pedra? Você já criou dois mosteiros em sua vida, para tal é preciso uma auto-confiança no Caminho muito grande, de que nesta vida a coisa mais importante é criar um mosteiro para que o seu povo tenha a possibilidade de ganhar a iluminação. Somente uma pessoa já iluminada pode ter tal consciência. Tenha uma sincera auto crítica e veja a diferença entre
as pessoas, ao menos uma vez".

Paulo tinha uma grande biblioteca Budista e estava sempre estudando, todos os dias do ano, sendo que o seu sutra favorito era o Sutra Lankavatara, na tradução de Daisetz Suzuki, o qual ele sabia de cor. Também no campo profissional era reconhecidamente um grande engenheiro de águas. Mas era um incompreendido, pois sendo a pessoa brilhante que era, sempre o primeiro entre os primeiros, não conseguia compreender a mediocridade e como seria possível que as pessoas se dedicassem somente de meio coração às práticas zen. Isto para um gênio era inconcebível, e era exatamente esta circunstância que o separava do comum da humanidade, que é morna. Ele era quente e não medíocre. Tinha coisas em que parecia um menino. Chegava nas casas das pessoas que mantinham passarinhos em cativeiro para que cantassem exclusivamente para aquela família, e simplesmente abria a portinha e
deixava que os passarinhos se fossem em liberdade. Agora justamente foi a alma dele que foi posta em liberdade, enquanto que ficamos aqui diminuídos com sua ausência, com a sensação de enclausuramento depois que ele se foi.

Agora temos a exata dimensão de como ele vai fazer falta, somos somente nós para mostrar a que vem o zen, sem o Paulo e isto ficou realmente difícil para os que restaram aqui. Podia dizer mais, mas sem dúvida o Mestre Tokuda chegará do Japão em julho e as coisas mais importantes a serem ditas do Paulo ainda serão mencionadas, em vez deste pobre ensaio manco".

Marcos Beltrão Frederico